A nova novela Caminho das Índias, da Rede Globo, coloca o estilo das casas indianas na ordem do dia. As cores vibrantes, a religiosidade, os antigos e suntuosos palácios entram todos os dias nas casas dos telespectadores da trama gravada em terras indianas.
Por aqui, o estilo que vem de países asiáticos inspira há tempos decoradores e arquitetos, que fazem uso de peças comuns na Índia: almofadas bordadas, mantas, baús, móveis, vasos, caixas, luminárias e imagens de divindades, como Buda, Shiva e Ganesha.
Edmundo Rodrigues, proprietário da loja Espaço Til, em São Paulo, especializada em produtos do Oriente, sentiu imediatamente o aumento do volume de vendas com a estréia da novela. "Já era esperado, por isso me programei com meses de antecedência para suprir a demanda", conta ele, que acumula cerca de 40 viagens à Índia.
Sua primeira visita ao país foi um divisor de águas, assim como para a decoradora Neza Cesar. "A estética da Índia combina muito comigo: é colorida e muito rica em detalhes", diz Neza, uma referência quando o assunto é decoração étnica.
Além dos detalhes (costuma-se dizer que as casas indianas são "bordadas", dos palácios às moradias populares), a decoradora destaca o aspecto sensorial. "A Índia tem um cheiro especial. É interessante usar esse elemento na decoração, com incensos e flores perfumadas", exemplifica.
Mas, se você ficou tentado a dar um toque indiano na sua casa, vá com calma. É preciso tomar cuidado para não deixar a decoração carregada e "escorregar" facilmente para um visual caricato. "As ambientações vistas na novela estão vinculadas ao estilo antigo e tradicional, mas é possível misturá-lo com elementos contemporâneos. Uma proposta que pode estar em qualquer parte do mundo", alerta o designer de interiores Moreno.
O melhor, portanto, é apostar em detalhes e cores com inspiração étnica. Para isso, siga as dicas abaixo:
- O piso deve ser preferencialmente de cor neutra. Uma opção é um revestimento à base de bambu. Isso dá liberdade para usar cores em outros elementos, como almofadas, paredes, tecidos ou objetos decorativos.
- A presença de madeira remete ao estilo étnico. Prefira os padrões mais escuros, como tabaco ou mel.
- Paredes brancas realçam as peças vindas da Índia, como uma estátua de Buda. As superfícies podem ainda receber nuances de cores, com o uso de papel de parede ou aplicação de folhas de ouro.
- Aposte em xales ou cortinas em cores étnicas, como o bordô.
- Forro de gesso rebaixado com iluminação embutida dá um toque de contemporaneidade ao ambiente. Ótimo para dar o contraponto com elementos étnicos.
- Uma bancada clean e contemporânea pode abrigar uma estátua de uma divindade indiana, e, assim, proporcionar um belo contraste de estilos.
- Mistura certeira: parede bordô, mobiliário clean e almofadas étnicas.
- O colorido maravilhoso do sári, uma vestimenta indiana feminina, pode ser usado para confeccionar cortinas.
- Reverenciar deuses e família é costume na Índia e pode ser adaptado ao Brasil. Uma opção é ter um pequeno altar em casa, com imagem ou santo de crença, vela, flores e incenso. No mínimo, vai causar bem-estar e boa impressão.
Marcelo Rosenbaum dá dicas para a decoração do quarto do seu filho
O designer, parceiro do apresentador Luciano Huck no projeto Lar Doce Lar, dá dicas de como decorar o quarto das crianças. E o melhor, você pode reaproveitar muita coisa no quarto do seu filho.
Déficit habitacional foi de 7,2 milhões de unidades habitacionais em 2007
O déficit habitacional, indicador que mede a falta de moradias no país, situou-se em 7,209 milhões de unidades habitacionais em 2007. É o que revela a versão definitiva do estudo do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e da FGV Projetos.
O estudo foi realizado tendo como base a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios) do IBGE, que em 2007 atualizou dados e constatou diminuição no número de famílias, reduzindo a estimativa de demanda por moradia e, portanto, o próprio déficit habitacional.
Portanto, devido aos novos parâmetros utilizados para o cálculo, não se pode fazer uma comparação direta entre o déficit habitacional estimado para 2006, que havia sido de 7,964 milhões de moradias, com o déficit de 2007, calculado em 7,209 milhões.
Numa perspectiva de longo prazo, o déficit apresenta queda. Por exemplo, na comparação com 2001 (com dados ajustados pelo Censo), o déficit de 2007 (com dados ajustados pela Contagem Populacional) recuou de 15,7% para 12,8% dos domicílios.
Segundo o estudo, a razão da queda é que o número total de domicílios tem crescido à frente do número de novas famílias formadas, o que diminuiu o déficit por coabitação (mais de uma família morando na mesma residência). O aumento do número de domicílios é reflexo do crescimento econômico e da boa fase vivida pela construção civil a partir de 2005.
Contudo, cresceu a concentração das carências habitacionais nas faixas mais baixas de renda. Em 2006, 29,2% do total de domicílios inadequados eram habitados por famílias com renda mensal de até R$ 1 mil. Em 2007, este percentual passou para 31,1%.
Isso não significa que a população mais pobre esteja excluída da melhora nas condições habitacionais, apenas que ela está deixando o déficit habitacional de forma muito mais lenta. Em 2006, na faixa de renda até R$ 1 mil, 13,5% dos domicílios foram considerados inadequados (favelas), porcentagem que se reduziu para 12,6% em 2007.
Seminário Nacional Construção Civil no Brasil: desafios e oportunidades
O II SNCC, objetiva, principalmente, reunir empresários, instituições, pesquisadores e profissionais para discutirem os problemas existentes e as soluções necessárias para o desenvolvimento do setor; os processos construtivos e as dificuldades das cadeias produtivas; a gestão do conhecimento como elemento de inovação; e a oferta de mão-de-obra, entre outros temas atuais e importantes para a construção civil no Brasil.
As inscrições estão abertas e podem ser realizadas acessando o site do evento www.snccb.com.br
Nova legislação determina que os municípios ofereçam consultoria de arquitetos, urbanistas e engenheiros a famílias de baixa renda
Fonte: PINI web
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que assegura às famílias com renda mensal de até três salários mínimos assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitações de interesse social.
A lei 11.888, de autoria do deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), determina que a assistência técnica abranja todos os trabalhos do projeto de construção da moradia, ficando o acompanhamento e a execução da obra a cargo de profissionais das áreas de arquitetura, urbanismo e engenharia. A assistência técnica abrange cooperativas, associação de moradores ou uma única família. A construção pode ser feita por mutirão e há preferência de projetos executados em Zeis (Zona Especial de Interesse Social), urbanos ou rurais.
A lei também permite que sejam firmados convênios ou parcerias entre entes públicos e entidades promotoras de programas de capacitação profissional, residência ou extensão universitária nas áreas de arquitetura, urbanismo e engenharia.
O presidente do Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), Marcos Túlio de Melo, afirmou por meio de nota que o sistema detalhará com prefeituras e o Ministério das Cidades a operacionalidade da lei durante os próximos seis meses. Segundo Melo, a lei deverá abrir oportunidades no mercado de trabalho para engenheiros de diversas modalidades, arquitetos e urbanistas e técnicos em edificações.
Os recursos serão oriundos do FNHIS (Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social) e permite a participação do capital privado. A lei entrará em vigor no dia 24 de julho de 2009.
24 containers foram colocados juntos para formar uma loja da PUMA de 3 andares incluindo um bar/lounge e 2 decks. A loja será deslocada por varias cidades ao redor do mundo.
Câmara Brasileira da Indústria da Construção elogia redução da Selic
Medidas do governo deverão permitir que setor cresça 5% em 2009
A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de reduzir a taxa básica de juros em um ponto percentual agradou o setor da construção civil. O governo anunciou no dia 21 de janeiro a queda de 13,75% para 12,75% ao ano da Selic.
Segundo Paulo Simão Safady, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria de Construção), a medida reduzirá a pressão do custo financeiro de toda a indústria brasileira. Safady espera que a meta de crescimento no País volte à normalidade a partir de 2010. "Com a sinalização do Copom essa semana e com a redução dos spreads a coisa já vai começar a funcionar melhor", comentou.
O presidente da Cbic também apontou que o intervalo das reuniões do Copom seja menor. "Achei que já estava mais do que na hora de começar a reduzir. O sinal do Copom de reduzir 1 ponto percentual é mais do que claro de que o ele não está mais preocupado com a inflação. Então, essa idéia de reduzir o prazo das reuniões e de acelerar a redução da taxa de juros me parece absolutamente razoável", argumentou.
Para Safady, se todas as medidas de apoio ao setor forem tomadas pelo governo, o crescimento da construção civil em 2009 deve ser inferior ao de 2008, ficando em 5%. A estimativa da CBIC é que o setor feche 2008 com crescimento de 9%. "O País precisa de muita proteção e muita coisa está sendo estudada. O governo está estudando desoneração tributária e uma série de propostas não só para o setor, como em geral", acrescentou Safady.
"Papa" do concreto, Kumar Mehta defende a redução de clínquer no cimento Portland e menos cimento na mistura, para tornar o material "mais" sustentável. Alvos são as fábricas e projetistas
Revista Techne
POVINDAR KUMAR MEHTA
Engenheiro químico por formação na Universidade de Delhi (Índia), o especialista indiano é mestre na Universidade Estadual da Carolina do Norte e doutor em Ciência e Engenharia de Materiais da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Professor Emeritus em Engenharia Civil na Universidade de Berkeley, Mehta se aposentou em 1993 após lecionar durante 30 anos sobre concreto. Em 2006, suas décadas de pesquisa na utilização de cinzas volantes no concreto foram reconhecidas pelo Coal Combustion Products Partnership. É também membro honorário do ACI (American Concrete Institute) e Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto).
O aquecimento global deve-se em grande parte à emissão de CO2. Na indústria do concreto, 90% da emissão de carbono ocorre nos fornos que queimam o clínquer. É assim que Povindar Kumar Mehta, professor da Universidade de Berkeley (USA), tenta convencer o setor da construção a repensar a fórmula e o próprio uso do concreto. Mehta realizou palestras no 50º Congresso Brasileiro do Concreto e também na Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) sobre o tema "A Glimpse into SustainableTernary-blended Cements of the Future". Sua proposta inclui a atuação em três frentes, mas que têm uma palavra em comum: redução. Mehta defende que se consuma menos concreto nas novas estruturas, menos cimento nas misturas para concreto e pouco clínquer para produzir o cimento. Segundo Mehta, cerca de 50% a 70% da massa de clínquer presente no cimento Portland pode ser substituída por diversos materiais complementares. Entre os exemplos estão as cinzas volantes, pozolanas naturais e cinzas de casca de arroz. O especialista propõe que pelo menos dois desses materiais sejam utilizados de forma complementar ao clínquer, substituindo 40% em massa. Durante o Congresso, organizado pelo Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto), o indiano lançou a terceira edição do livro "Concreto: Microestrutura, Propriedades e Materiais". O brasileiro Paulo Monteiro, que também leciona na faculdade norte-americana, é novamente co-autor do livro. A edição recebeu novos capítulos e um CD com vídeos e outras informações.
Uma de suas propostas para uma construção mais sustentável é reduzir o consumo de concreto, do cimento e diminuição do clínquer no último. Os profissionais e a indústria estão preparados para essa mudança?
Eu não considero que haja resistência por parte dos arquitetos, engenheiros ou qualquer profissional dessas áreas. Esses aceitam bem a redução do concreto, do cimento e do clínquer no próprio cimento. O problema está na indústria do concreto, que teme mudanças. Ela está acostumada ao crescimento e aos paradigmas atuais. Para não afetar isso, a indústria apóia o desenvolvimento de edifícios sustentáveis, que estão em toda parte, mas é preciso, também, estender a questão ao consumo de cimento.
Como espera alcançar esse concreto mais sustentável?
Os edifícios ecológicos estão empregando soluções que utilizam aspectos naturais para aquecimento, ventilação, iluminação e estão reduzindo o consumo de energia, por exemplo. Entretanto, é necessário estender esse conceito para os materiais ecológicos. Precisamos convencer, de forma maciça, os arquitetos e projetistas a utilizarem materiais e soluções ecológicas em seus projetos. São eles que especificam os detalhes dos projetos e que movem a indústria. São eles que movem também a indústria do concreto. Quer gostem ou não, os fabricantes deverão obter soluções mais sustentáveis para o concreto. É a mão que balança o berço, é assim que funciona. Enquanto isso, eles vão dizer que essa tecnologia "ainda não existe". É uma maneira de confundir. Não é necessário mudar nada. São como as pessoas que querem votar em McCain e não em Obama, porque têm medo de mudanças. O cenário do status quo está muito ruim, mas eles têm medo de mudanças. Há todo tipo de desculpas. Por exemplo, a administração do presidente Bush não assinou o Protocolo de Kyoto. Só que o país é responsável por 25% das emissões de carbono. Qual a razão disso? Algumas pessoas lucram com o status quo e há aquelas que têm medo de mudar. Só que em longo prazo, estão se tornando um obstáculo. Outro exemplo é que McCain deve ganhar as eleições. Só que não por mérito, mas pelo receio de muitas pessoas de mudar certas questões. O medo é muito poderoso.
O concreto auto-adensável ainda é uma tecnologia onerosa no Brasil. Seus estudos indicam uma solução com os mesmos benefícios técnicos e mais barata?
Não considero o concreto auto-adensável mais caro. Recentemente, a estrutura de um templo na Índia foi totalmente executada com auto-adensável. Foram lançados 8.200 m³/h, um grande volume de concreto com cinzas volantes. Não houve custos extras, não foi acrescentado nenhum aditivo modificador de viscosidade. Portanto, dizer que o concreto auto-adensável é muito caro é porque os vendedores querem promover seu aditivo modificador de viscosidade. Eles querem vender aditivos. Só que isso não é necessário com um volume alto de cinzas volantes no sistema. Assim, temos o que se pode chamar de sistema quase auto-adensável. Nessa obra, o concreto foi lançado durante 12 horas, sem parar. Isso só foi possível porque o concreto flui e se auto-adensa.
No Brasil, é fato que o concreto auto-adensável é mais caro. Talvez isso esteja ligado à abordagem feita à dosagem. Para partículas mais finas, coloca-se mais cimento. A maioria das combinações e dos materiais combinantes estão relacionados ao insumo. O módulo de deformação é muito baixo, o pico de hidratação é muito alto e às vezes não funciona. Há estruturas que foram executadas com 800 kg de cimento, sendo 70% de escória.
Ah, meu Deus! Nunca executaríamos nesses parâmetros. Ainda assim são 560 kg de escória. Para as muitas estruturas que projetei, nunca especifiquei mais do que 200 kg. Nunca.
Qual a sua visão sobre o LEED na questão do concreto?
Estou tentando dizer ao pessoal do LEED que deveriam ir direto à questão da emissão de carbono. Essa opção seria bem mais eficiente ambientalmente, há o foco de quantidade no LEED. Por exemplo, é possível reduzir de 20% a 25% o teor de cimento com o uso de superplastificante. Essa questão não é valorizada pela certificação. Se um edifício economizou 2.000 t de emissões de carbono, qual o problema de ser pontuado no LEED? É uma questão global, atual, que deveria ser pensada.
Aumentar a produtividade do concreto no canteiro é uma preocupação do setor. Qual a sua recomendação para isso?
O concreto é pesado para transportar, nisso alguém decide colocar mais água ou cimento. Logo surgem as fissuras, é necessário consertar. Só que a adição de materiais complementares ao cimento Portland aumenta a trabalhabilidade do material, que é um dos problemas mais comuns nos canteiros. Os processos envolvendo o concreto são simples. Não é necessária uma mão-de-obra especializada para vibração e consolidação. Também não vejo impacto algum para introduzir tecnologias sustentáveis. Os responsáveis e os operários necessitam ter consciência do processo da cura. Quando o concreto padrão está adensado, é preciso esperar antes de fazer qualquer acabamento na superfície e que a água evapore. Há casos em que os operários ficam até mesmo cinco horas aguardando sentados e perde-se a produtividade. Só que se não há exsudação, já é possível começar o acabamento após o lançamento. Isso é possível com o uso de 5% de microssílica, 10% de pó de calcário. Essas tecnologias ajudam os trabalhadores, aumentam a eficiência, não necessitam de equipamentos ou treinamentos complexos.
A nanotecnologia e o concreto estão sendo muito discutidos. Como encara a questão?
A nanotecnologia utiliza material particulado muito fino. Há três décadas o termo nanotecnologia não era usado, só que a indústria do concreto já empregava materiais de nanodimensões. A microssílica, que ainda é muito utilizada, é um exemplo. De forma aproximada, 5% desse material preenche os espaços entre partículas grandes de agregados que possui até cerca de dez vezes o tamanho da microssílica. Há materiais que, se trabalhados, permitem obter partículas em outras faixas de tamanho que podem chegar até cerca de 15 micra. Entretanto, se utilizarmos a microssílica no concreto, essa faixa pode ser de até 0,15 micra. Portanto, é um nanomaterial. Esse preenchimento do espaço entre o agregado e a pasta do cimento ocorre de forma uniforme e é muito bom para a hidratação. O pó de calcário também é interessante e possui uma granulometria extremamente fina. Além disso, não é tão caro quanto a microssílica. Ele é muito interessante por sua dispersão, por reduzir os espaços entre a pasta de cimento e os agregados. Por esse motivo, o concreto auto-adensável está usando bastante o pó de calcário. A nanotecnologia é empregada de forma limitada por dois motivos. O primeiro é que ela é cara. O segundo é que, nesse valor, ela não é viável.
Há muitos estudos envolvendo nanotecnologia?
O material precisa ser moído em uma granulometria muito fina. Isso está no meu livro. Estou tentando dizer que não é uma novidade. Na Noruega, o concreto com cerca de 3% a 5% de microssílica é empregado há 30 anos em construções em alto-mar para prospecção de petróleo. Nessa dosagem, o uso desse material na mistura deixa o concreto livre de exsudação. Assim, essa tecnologia não é tão nova.
E por que essa discussão está tão evidenciada ultimamente? Há mais implicações para um material altamente sofisticado. É como a fibra de carbono, plásticos reforçados, cerâmicas, onde a trabalhabilidade pode ser melhorada por meio da dispersão de pequenas quantidades de partículas finas. Estão, cada vez mais, descobrindo esses materiais. Só que no caso do concreto, microssílica e pó de calcário são comuns na área de materiais de partículas muito finas e a construção civil está utilizando essas duas substâncias há bastante tempo.
Qual seu vislumbre para o concreto do futuro, ainda mais com a sustentabilidade?
Acho que o futuro do concreto é brilhante. Na mitologia hindu, há o deus Shiva que controla os venenos. No mito, as pessoas começaram a vasculhar o oceano em busca de algo valioso e liberaram muito veneno. Só que ninguém estava disposto a fazer nada para consertar isso. Shiva sorveu o veneno com um canudo e a única conseqüência foi que sua pele ganhou a cor azul. No livro, faço essa comparação entre Shiva e o concreto. Acho que esse material pode beber todos os tipos de veneno. Onde colocaríamos um bilhão de toneladas de cinzas volantes, que contêm elementos tóxicos? Se entrarem em contato com lagos, lagoas e aterros haverá contaminação dos lençóis freáticos com arsênico, chumbo. Se forem utilizadas no concreto, não haverá problemas. O concreto é uma das maiores indústrias, produz muito e é a única com capacidade para absorver essa enorme quantidade de resíduo. Só que ela precisa reduzir a emissão de carbono. A sociedade vai continuar consumindo grandes quantidades de concreto, para infra-estrutura, para edificações, renovação. Só que é preciso utilizá-lo de forma eficiente, é preciso controlar o consumo e reduzir o consumo de clínquer para diminuir a emissão de carbono.