Em temporada de contratações, recrutadores de grandes empresas dizem quais características os engenheiros e arquitetos devem ter para conseguir emprego
Rafael Frank - Piniweb
Uma série de empresas de construção civil está com processos seletivos abertos para estudantes e profissionais formados, sendo que algumas delas surpreendem pelo grande número de vagas disponíveis. A Camargo Corrêa, por exemplo, anunciou que iniciará seu programa de estágios e trainees em novembro, mas pelo menos duas unidades do grupo estão com inscrições em um programa paralelo para jovens profissionais com 240 vagas. A Método Engenharia, a Votorantim, e a Gafisa também estão com processos de recrutamento abertos, só para citar algumas. Mas afinal, o que essas empresas procuram nos profissionais? Como eles devem proceder para mostrar que estão capacitados para a vaga?
Não há uma regra geral de seleção, dizem os recrutadores, no entanto, alguns procedimentos básicos podem auxiliar o candidato em um processo seletivo. A primeira preocupação deve ser com a apresentação do currículo. Este documento deve descrever as experiências e habilidades do candidato de maneira direta para ser funcional. O diretor de Pessoas e Organização da Odebrecht Empreendimentos Imobiliários, Enio Andrade, recomenda que o documento não ultrapasse duas folhas e que traga descrição verdadeira das características do candidato. "Um erro comum é a transmissão de informações falsas", avisa Andrade, uma vez que os conhecimentos informados no currículo serão cobrados nas fases seguintes, como nas dinâmicas de grupo e entrevistas.
A vice-presidente administrativa da MRV, Júnia Galvão, alerta também que os candidatos devem observar se preenchem todas as qualificações solicitadas pelo contratante. "Além disso, muitos incluem dados irrelevantes para a função a qual se candidatou, como cursos que não serão de utilidade para o exercício de suas atividades profissionais", afirma. O gerente de RH estratégico da Método Engenharia, Roberto Mingroni, afirma que ser prolixo é outro erro comum. "Há candidatos que repetem informações ou não são claros nas funções que executaram".
Além da experiência e conhecimento técnico, outras habilidades também são observadas durante o processo seletivo, tais como características pessoais e de relacionamento em grupo como liderança, gestão, facilidade de trabalho em equipe, criatividade e habilidade de expressão verbal. "Percebemos que os candidatos possuem alta capacidade técnica, mas faltam essas características. É necessário entender que esses engenheiros ser tornarão executivos da empresa no futuro", afirma Mingroni, da Método.
Experiência
No caso de trainees e estagiários, o diretor da Odebrecht Empreendimentos Imobiliários avalia que o currículo deve ser claro e sucinto. "O currículo não é tão importante, já que esses jovens ainda não têm ampla experiência profissional, nem idade suficiente para terem investido tempo em cursos e formação acadêmica complementar à Universidade", avalia Andrade. Já com relação os jovens recém-formados, as empresas observam os cursos realizados pelos candidatos bem como sua participação em atividades extra-curriculares.
Para os profissionais com mais tempo de mercado, a experiência nos canteiros é um diferencial importante. As empresas reconhecem que o candidato possui noções dos processos, tempos e recursos necessários para a execução das tarefas. Assim, o profissional também consegue lidar e liderar a equipe por reconhecer as necessidades e dificuldades do trabalho. Na MRV, por exemplo, para exercer as funções de engenheiro de obra, de suprimentos ou de segurança do trabalho é necessária experiência mínima de um ano. Para a última, a empresa também valoriza os conhecimentos em emissão de documentos técnicos, criação de Processos de Segurança, na realização de Programas de Treinamento e conhecimentos no processo de implantação de certificações (ISO 14000, OHSAS 18000, ISO 9000, ISO 9001). Já os arquitetos ou coordenadores de projetos necessitam, além do conhecimento de softwares, de mais tempo de experiência: três anos na área.
A MRV admite que profissionais com conhecimento nos sistemas informatizados de gestão (SAP, Cognos, por exemplo) utilizados na empresa também levam vantagem no processo de seleção. Já a Método, destaca o conhecimento de soluções sustentáveis e também de cursos MBA (Master in Business Administration) e até certificados de gestão. "Oferecemos cursos sobre gestão na empresa e também incentivamos para que os funcionários tenham o certificado PMP (Project Management Professional) do PMI (Project Management Institute)", informa Mingroni.
Os três profissionais também explicam que empresas utilizam diversos fatores como diferenciais, mas não como motivos de exclusão do processo seletivo. "Em alguns casos, temos muitos candidatos e optamos por aqueles que estudaram nas melhores faculdades", avisa Júnia. Nessa mesma linha estão o domínio de idiomas e também vivência internacional, mesmo que seja um curto período de férias. "Ter nível intermediário no domínio de uma língua é muito importante, preferencialmente em inglês ou espanhol. Outro diferencial é o conhecimento de idiomas como francês, alemão, italiano, russo, chinês, árabe e iídiche", afirma Andrade.
Com a expansão das empresas para diversas regiões do Brasil e até para outros países, a disponibilidade para mudar de cidade também se torna um ponto positivo. "Há vagas em que a indisponibilidade se tornou motivo para desqualificação no processo", afirma Júnia. Já Andrade aponta que esse esforço provoca um grande desenvolvimento profissional, independentemente da área que o profissional vai atuar.
A CBIC –Câmara Brasileira da Indústria da Construção– entregou à ministra Dilma Roussef, no Rio de Janeiro, proposta de uma política de Estado para HIS –Habitação de Interesse Social.
A Fundação Getulio Vargas, em conjunto com a Ernst & Young, publicou o trabalho “Brasil sustentável: Potencialidades do Mercado Habitacional”, no qual procurou delinear cenários até o ano de 2030.
O estudo levou em conta os indicadores habitacionais de mais de 20 países, a fim de fornecer elementos para o debate da questão e para subsidiar o planejamento das empresas.
Dentre outros aspectos, o trabalho indica que o mercado brasileiro enfrentará grande desafio para atender sua demanda habitacional, pois em 2030 o Brasil terá mais de 233 milhões de habitantes distribuídos em 93,1 milhões de moradias. Em 2007, éramos 189 milhões de brasileiros em 56,2 milhões de domicílios. Ou seja, o número de moradias crescerá mais de 65% no período.
No Brasil, assim como no restante do mundo, se observam mudanças significativas na distribuição da pirâmide etária. Em 1990, a idade média do brasileiro era de 25,6 anos, expectativa de vida de 66,3 anos e apenas 36,4% da população tinha 30 anos ou mais.
Em 2007, a idade média já era de 29,8 anos, a expectativa cresceu para 72,4 anos e 45,7% da população tinham 30 anos ou mais. Em 2030, a idade média será de 36 anos e quase 60% da população terá 30 anos ou mais. Portanto, haverá mais adultos aptos a formar família e demandar moradias.
O Brasil não conseguiu reduzir seu passivo habitacional nos últimos anos. Em 2005, havia a necessidade de 7,8 milhões de moradias, somente para cobrir o déficit oriundo da inadequação dos domicílios e da coabitação familiar.
Além dos esforços que deverão ser empreendidos para o combate ao déficit, estima-se que seriam necessários investimentos de R$ 59 bilhões somente no ano de 2008 para reposição de moradias ou para conservação das mesmas, afinal nosso parque habitacional está envelhecendo.
Estes e outros pontos deixam clara a importância que tem para o país a questão do crédito imobiliário. Se em 2007 o volume de crédito ofertado no Brasil foi de apenas 1% do PIB, projeta-se para 2030 uma forte expansão do financiamento habitacional, que representará 4,7% do PIB. Ou seja, espera-se crescimento anual de 11,2% nos próximos 23 anos, bem acima do crescimento econômico de 4% ao ano projetado pela Fundação Getulio Vargas. Isto significa que naquele ano serão concedidos R$ 290 bilhões em financiamentos habitacionais.
Pode parecer utópico sonhar com cenário tão favorável para o mercado imobiliário habitacional. Porém, se há cinco anos tentássemos vislumbrar o cenário em que vivemos hoje, também imaginaríamos que estávamos sonhando. A realidade mostrou que o mercado, as empresas e os consumidores vêm respondendo favoravelmente ao desenvolvimento experimentado recentemente.
Só falta mesmo o governo eleger a habitação de interesse social como primeira linha da sua pauta, pois, se atendida esta demanda e o país crescer 4% ao ano, podemos prever um mercado imobiliário sustentável e perene, no mínimo, até 2030.
* Celso Petrucci é economista-chefe do Secovi-SP, diretor-executivo da vice-presidência de Incorporação Imobiliária do Sindicato e membro titular do Conselho Curador do FGTS
A segunda edição brasileira da Casa Arte e Design (CAD), mostra internacional de arquitetura, decoração, design e paisagismo, ocorre entre os dias 7 de outubro e 9 de novembro, em São Paulo. Com o tema Rumo à Sustentabilidade - Menos CO2, o evento apresentará soluções sustentáveis para o modo de viver atual. A CAD dará espaço também ao Fórum CAD Brasil08, com temas relacionados às tendências do design, da arquitetura e da sustentabilidade. Informações: (11) 3034-0600 e www.casaarteedesign.com.br.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, vinculado ao Ministério da Cultura, lança mais uma edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, criado em 1987 em reconhecimento a ações de proteção, preservação e divulgação do patrimônio cultural brasileiro. Foi assim denominado em homenagem ao primeiro dirigente da instituição.
A Vasselai foi classificada em nível regional pelo projeto Casa dos pioneiros - resgatando nossa história.
Futuro em nossas mãos - Vasselai será parceira do projeto
O Programa
A economia brasileira, vem passando por profundas transformações, de forma geral, desfavoráveis à geração de novos postos de trabalho formais, atingindo especificamente os jovens.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o desemprego entre jovens brasileiros dobrou nos últimos 10 anos.
Frente a este quadro, o Futuro em Nossas Mãos busca promover a inclusão social de jovens entre 18 e 24 anos, por meio da qualificação profissional em setores ligados à cadeia de negócios do Grupo Votorantim. Os cursos estão em sintonia com as demandas do mercado de trabalho e com as necessidades de desenvolvimento integral da juventude.
O Programa está apoiado em três diretrizes básicas:
- Capacitação profissional;
- Inserção profissional;
- Formação de redes de apoio.
Histórico
O Futuro em Nossas Mãos surgiu em 2003, com o patrocínio da Votorantim Cimentos e, em 2005, passou a contar com o apoio técnico do Instituto Votorantim. Desde sua criação, quatro empresas do Grupo Votorantim desenvolvem ou já desenvolveram o programa nas localidades onde estão inseridas:
• Companhia Brasileira de Alumínico (CBA)
• Votorantim Cimentos (VC)
• Engemix
• Votorantim Metais (VM)
Desde sua criação, a iniciativa já formou mais de 7.700 jovens, em 71 municípios de 13 estados.
Seja um parceiro
Para potencializar os resultados do Futuro em Nossas Mãos e aumentar a quantidade de jovens inseridos no mercado, o programa conta com a parceria de organizações do governo e da sociedade civil, que trabalham para que os jovens formados multipliquem os conhecimentos adquiridos em suas comunidades, atuando como agentes transformadores.
A meta do programa é que, pelo menos, 50% dos jovens sejam inseridos no mercado de trabalho. Para isso, as empresas do Grupo Votorantim, que apóiam o Futuro em Nossas Mãos, contam com a colaboração de toda sua cadeia de negócios, articulando redes de clientes e fornecedores para garantir que os jovens sejam absorvidos pelo mercado de trabalho, quando formados.
Assim, unindo ONGs, empresas, associações, sindicatos, governo e sociedade, o projeto está transformando vidas.
Com imensa satisfação a Vasselai foi procurada pela Votoran para fazer parte do projeto em Blumenau e será parceira contratando alguns alunos da próxima turma através dos seus empreiteiros.
Financial Times - Economia forte aquece setor imobiliário no Brasil, diz jornal
A urbanização, o crescimento da classe média e a maior oferta de empréstimos estão impulsionando o mercado imobiliário nas economias emergentes, enquanto o resto do mundo permanece estagnado, afirma uma reportagem publicada na edição desta terça-feira do diário financeiro britânico Financial Times.
De acordo com uma pesquisa citada pelo jornal, o volume de negócios nos países industrializados caiu 54% no primeiro trimestre de 2008 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Brasil está captando investimentos no setor imobiliário
Em contrapartida, diz o estudo feito pela Real Capital Analytics e reproduzido pelo FT, o número de transações nos mercados emergentes subiu 43% nos primeiros três meses do ano.
“Um dos mercados emergentes que mais atrai fluxo de investimento de capital é o Brasil”, afirma o jornal. “Com mais de US$ 1 bilhão de negócios fechados a cada trimestre em transações imobiliárias, o país sai à frente de outros rivais da região, como Argentina, México e Chile”.
Salários em alta, inflação em baixa e moeda estável estimularam o setor da construção no país, dizem analistas ouvidos pelo FT.
“O Brasil é um bom lugar para se estar atualmente. A combinação de crescimento econômico forte e condições financeiras favoráveis fazem do país um lugar sedutor”, afirma ao jornal Sam Lieber, presidente de um fundo de investimentos imobiliários nos Estados Unidos.
Centro econômico
O jornal americano Christian Science Monitor destacou em reportagem nesta terça-feira o bom momento da economia brasileira, que está "captando um leque de investimentos estrangeiros em setores variados como o da construção imobiliária e de máquinas para agricultura".
“É uma reviravolta fora do comum para um país acostumado ao avanço e ao fracasso, e reforça o lugar do Brasil como o centro de poder da América Latina”, afirma o jornal.
“Apesar de muitos países estarem se saindo bem na região – a América Latina está desfrutando de um dos melhores períodos de crescimento econômico em 40 anos, as Nações Unidas lançaram um relatório no mês passado que confirma: o Brasil está ultrapassando seus vizinhos", afirma o Christian Science.
Ainda segundo o jornal, os bons ventos parecem ter chegado para ficar.
"Enquanto o resto do mundo aperta o cinto com medo de recessão, os brasileiros estão colocando as mãos no bolso e tirando dinheiro."
Os investimentos da cadeia de construção civil somaram R$ 205,3 bilhões no ano passado, com expansão de 13,8% em relação a 2006, segundo estudo realizado pela FGV Projetos, a pedido da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). "Esperamos continuidade do crescimento dos investimentos em 2008", disse a consultora Ana Maria Castelo.
Em 2006, o setor havia investido 7,6% a mais que no ano anterior Os investimentos da cadeia de construção respondem por uma parcela da formação bruta de capital, que é composta também por máquinas e equipamentos. Já a carga tributária da cadeia da construção foi de R$ 44,2 bilhões no ano passado, sendo R$ 17 bilhões referentes a impostos sobre produção e importação e R$ 27,1 bilhões a impostos sobre renda e propriedade. A carga tributária foi correspondente a 23,6% do Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia da construção. No ano passado, a arrecadação cresceu 7,9% em 2007 em termos reais.
Carga tributária
O presidente da Abramat, Melvyn Fox, destacou que a carga tributária teve expansão mesmo com as reduções do imposto sobre produtos industrializados (IPI), concentradas em 2006, mas que ocorreram também em 2007. "A desoneração do IPI movimentou a economia. Temos insistido com o governo para que materiais de construção sejam incluídos na reforma tributária", disse Fox.
Segundo o estudo da FGV Projetos, o total de pessoal ocupado na cadeia da construção civil foi de 9,2 milhões no ano passado, com crescimento de 4,8% em relação a 2006. A atividade da construção respondeu por 68,4% do total. A indústria de materiais participou com o equivalente a 6,3%. Os serviços corresponderam a 5,3% do total, comércio de materiais de construção, por 9%, outros fornecedores, por 10,5%, e máquinas e equipamentos para a construção, por 0,5%.
Das 6,3 milhões de pessoas ocupadas na atividade de construção civil, entre 35% a 40% possuem carteira de trabalho ou são autônomos que fazem contribuições previ-denciárias, segundo a consultora da FGV Projetos, Ana Maria Castelo. Ela destacou que a participação do emprego formal tem crescido
Aquecimento do setor gera oportunidades para engenheiros civis especializados. Confira as principais necessidades das empresas
Por Renato Faria
Alunos em aula de curso de pós-graduação oferecido pelo Programa de Educação Continuada da Escola Politécnica da USP
Foi-se o tempo das vacas magras no mercado de trabalho dos engenheiros civis. Se na "década perdida" de 1980 a oferta de vagas era tão baixa que os recém-formados preferiam migrar para o setor financeiro, onde eram mais bem remunerados, hoje o aquecimento da Construção gera tanta demanda por profissionais qualificados que os alunos já são contratados antes mesmo de se formar. No entanto, mais do que engenheiros "genéricos", as empresas precisam de especialistas – em gestão, produção, orçamento, coordenação de obras, entre outros. E, com falta de "material humano" de qualidade no mercado, as empresas estão apostando cada vez mais na formação de seus próprios quadros internos.
O setor está crescendo e deve continuar assim nos próximos anos. Incorporadoras e construtoras aproveitam o momento favorável para lançar mais empreendimentos. Com tantos projetos tocados ao mesmo tempo, a principal dor de cabeça dessas empresas é como supervisionar todas as obras simultaneamente e com qualidade. Dessa necessidade imediata deriva o primeiro dos campos de especialização mais promissores do mercado: o planejamento de obras.
Logística: o engenheiro é responsável por otimizar a organização espacial do canteiro e racionalizar o transporte na obra. Com isso, é possível reduzir perdas de materiais e aumentar a produtividade na execução dos sistemas
O papel do engenheiro de planejamento é fundamental para determinar a velocidade e a estratégia com que as obras serão executadas. "Com o grande volume de lançamentos, cada vez mais o planejamento deverá ser elaborado como visão da empresa e não por cada gestão de obra", afirma o diretor técnico e de obras da Goldzstein Cyrela, Rogério Raabe. Para o vice-presidente do SindusCon-SP (Sindicado da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), Francisco Vasconcellos Neto, os engenheiros dessa área não podem se iludir, achando que basta dominar um software de planejamento para fazer bem seu trabalho. Em sua opinião, falta no mercado um curso de especialização forte nesse segmento.
Com o aumento do número de obras é preciso, também, lidar com um grande número de projetistas. Portanto, há espaço também para engenheiros capacitados em Gerenciamento de Projetos. O diretor de engenharia da CCDI (Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário), Cláudio Sayeg, cita três das principais competências necessárias a esse profissional. Primeiro, ele precisa ter um domínio técnico básico, mas amplo, das várias especialidades que compõem a edificação. Segundo, deve conhecer as tecnologias mais usadas no segmento de construção em que atuará – popular, comercial ou de alto padrão. Por fim, deve saber interpretar os diversos projetos de um empreendimento e identificar as implicações no orçamento, na execução, no cronograma etc. "Não basta ler superficialmente os desenhos, é preciso saber o que há em suas entrelinhas", explica Sayeg.
Mercado queixa-se de falta de projetistas estruturais e sistemas prediais – hidráulica, elétrica, ar-condicionado. Há espaço para profissionais qualificados, já que há até projetistas dispensando trabalhos
Manutenção: na fase de construção de um empreendimento, o engenheiro deve cuidar para que os projetos prevejam a facilidade de manutenções futuras. No pós-venda, faz o diagnóstico e as análises estatísticas das ocorrências para aperfeiçoar os projetos
Outra implicação do mesmo problema é a crescente demanda por projetos disciplinares e de sistemas prediais – fundações, estruturas, instalações elétricas, hidráulicas, ar-condicionado, impermeabilização e assim por diante. Para os interessados em seguir por essas áreas de especialização, as perspectivas são atraentes. "Os projetistas contratados pelas construtoras acabam sendo sempre os mesmos, pois são os que têm mais experiência para atender às demandas do mercado", afirma o diretor presidente da Sinco Engenharia, Paulo Sanchez. "Há escritórios dispensando trabalhos porque não têm condições de atender a tantos pedidos."
Planejamento de obras: profissional deve ter domínio de conceitos teóricos e de ferramentas de informática. Deverá desenvolver um planejamento conjunto das obras da empresa, e não cada caso isoladamente
A área de Engenharia de Produção na Construção é também apontada como promissora. "Faltam pessoas que façam projetos executivos de qualidade, que ajudem a melhorar a produtividade nos canteiros", revela Sanchez. Como exemplos, ele cita a carência por projetistas de fôrmas e de alvenaria. Rogério Raabe, da Goldzstein Cyrela, acredita que há muito também a ser explorado por engenheiros de Logística. "Esta função é muito importante para a produção devido à grande demanda por equipamentos, ferramentas e sistemas construtivos industrializados."
Para Luiz Henrique Ceotto, diretor de Construção da Tishman Speyer, a figura do engenheiro de manutenção também tende a adquirir importância dentro das construtoras. Trata-se de um profissional que supervisiona se os sistemas do edifício estão sendo projetados de forma a facilitar intervenções futuras para reparos e renovações. Atua também no pós-venda, realizando o levantamento estatístico e o diagnóstico das ocorrências de manutenção. "Ele deve ter domínio de elétrica ou hidráulica, mas precisa ser, antes de tudo, um engenheiro civil", explica.
Execução: são bem-vindos no mercado projetistas especializados em detalhar processo executivo de sistemas – como fôrmas, alvenaria, revestimento. Assim como os engenheiros de logística, têm papel importante no aumento de produtividade no canteiro
Falta experiência
Depois de anos seguidos vendo os engenheiros civis formados migrando para outras áreas de atuação, as empresas do ramo da Construção vêm enfrentando dificuldades para encontrar profissionais qualificados para os cargos de maior responsabilidade.
Em uma trajetória normal, assumem os postos de gerência os funcionários mais experientes dos quadros internos, que já acompanharam pelo menos o ciclo completo de uma obra. Os promovidos, com auxílio financeiro da empresa, complementam seu conhecimento prático com uma formação teórica em cursos de pós-graduação de médio e longo prazo, como as especializações lato sensu e os MBAs. Porém, com o aumento repentino do volume de trabalho, as empresas não têm conseguido esperar que seus funcionários adquiram maior experiência antes de assumir tais postos. "Muitos aumentaram seu patamar salarial e de responsabilidade, mas em alguns casos não estavam preparados para isso", afirma Sanchez, da Sinco. "Pode ser que colhamos frutos não muito bons desse crescimento abrupto", alerta.
Gestão de projetos: grande volume de empreendimentos das empresas exige profissionais aptos a coordenar o também grande volume de desenhos e especificações. Engenheiro deve conhecer todos os tipos de projetos executivos e ter habilidades de gestão e planejamento
Para o professor Francisco Ferreira Cardoso, coordenador do curso de MBA em Tecnologia e Gestão na Produção de Edifícios da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, os engenheiros devem conter a ansiedade e não ter pressa para realizar sua pós-graduação. "Se o aluno tem uma vivência profissional maior, os conteúdos abordados são mais bem absorvidos, há uma troca de conhecimentos mais efetiva", explica. Na seleção dos alunos para o curso que coordena, Cardoso dá preferência àqueles que tenham entre cinco e sete anos de experiência de mercado. Alunos recém-formados até são admitidos, mas são exceções. "Geralmente não passam de três em uma turma de 30."
Esses cursos, portanto, não se prestam às empresas ou aos profissionais que procuram resultados mais imediatos. Para isso existem os cursos de curta duração, de até seis meses, criados pelas instituições de ensino para atender a demandas pontuais. "São cursos que oferecem conhecimentos em áreas mais específicas", explica o coordenador do Pece (Programa de Educação Continuada da Poli-USP), Jorge Luis Risco Becerra. "Eles também são procurados por ex-alunos de faculdades com currículos deficientes, que querem preencher lacunas na formação." Segundo ele, atualmente os cursos de treinamento da instituição mais procurados por engenheiros civis são os de Engenharia de Túneis e de Pavimentação.
Sem alterar a forma de concepção do produto da construção civil, desempenho e produtividade tendem a permanecer estagnados. Adotar sistemas industrializados é imperativo para atender à demanda habitacional.
FRANCISCO PEDRO OGGI
Em 1970, cursou Desenho e Ilustração na Escola Panamericana de Arte, em São Paulo. Oito anos mais tarde, formou-se engenheiro civil pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie. Participou de diversos eventos e fez diversas especializações em estruturas e préfabricados, como o Master Course - Projeto de Estruturas Pré-moldadas da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto), em 2007. É consultor em sistemas para pré-moldados desde 1992, atuando pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem) e ABCIC. É presença freqüente em feiras de equipamentos e tecnologia do exterior, tendo participado de mais de 20 nos últimos 12 anos.
Falta mão-de-obra.Falta tempo para projetar.Faltam equipamentos e até materiais. Faltam técnica e tecnologias, além de participação dos arquitetos. Mas falta, antes de tudo, visão estratégica aos que decidem como as obras serão realizadas. Essa é a principal crítica de Francisco Oggi ao modelo de negócios consolidado na construção civil brasileira, que ainda parte do princípio de que há operários sobrando e que, portanto, podem ser contratados a baixo custo para processar todos os materiais "in loco". Segundo o engenheiro, o setor já avançou o máximo possível em desempenho e produtividade e não conseguirá ir além sem alterar a compreensão do que é construir de maneira industrializada. Isso significa olhar para o canteiro e perceber que, em vez de uma equipe de armadores, poderia contar com dois ou três funcionários ocupados em operar uma máquina que processe o aço de maneira rápida e eficiente. Mais do que isso, direcionar o raciocínio não para o custo do equipamento, que sempre parecerá alto, mas para os efeitos da industrialização no resultado final das contas. Com menos funcionários, pode-se aumentar os salários,logo, a produtividade tende a aumentar - mesmo porque contam agora com equipamentos. Com planejamento adequado da produção, os prazos são reduzidos junto com as despesas indiretas. Conseqüentemente, os ganhos com vendas e locação vêm antes. Assim, mesmo que algumas etapas, agora industrializadas, sejam mais caras, o custo global é menor. Essa é a argumentação de Oggi em entrevista concedida à Téchne.Acompanhe.
O que é uma construção industrializada?
Aquela em que, com projeto e planejamento, chega-se a um canteiro com elementos dependendo de simples montagem. A comparação é com a indústria automobilística, que mantém em seu poder apenas a linha de montagem, que seria nosso canteiro de obras. Por questão de logística, a indústria automobilística tem seus fornecedores próximos.
Como ocorre a aplicação desse conceito na construção, sendo que cada linha de montagem fica em um lugar?
Com parceiros fabricantes de portas, de estruturas de concreto e de instalações que industrializem parte do serviço e venham ao canteiro fazer a montagem. Na construção civil isso não acontece e todo mundo vem fazer artesanato no canteiro. Há um volume muito grande de gente, e é muito difícil tomar conta desse povo todo. Acabo não fazendo montagem, mas construindo tudo ali, pecinha por pecinha.
Por que a construção se configurou dessa maneira?
Nas décadas de 1960 e 1970, o BNH (Banco Nacional da Habitação) estimulava a utilização de mão-de-obra para liberação de financiamento, pois não éramos industrializados, os setores de serviços e de agricultura não eram desenvolvidos e a maioria da mão-de-obra estava disponível para a construção civil. Com o fechamento das fronteiras para importação e excesso de operários, desenvolvemos a melhor maneira de juntar os dois quanto a custo e desempenho. Após 40 anos, não dá mais para aperfeiçoar dentro desse modelo, com um monte de gente e material chegando picadinho.
"Na industrialização, saímos da visão fracionada para a visão sistêmica, que pensa no resultado final do empreendimento e objetiva um valor de investimento menor do que o previsto"
Por que estamos pensando em industrialização agora?
A estabilização econômica gerou inclusão social e estímulo à aquisição de bens duráveis, como carros, celulares e, agora, imóveis. A construção é o único setor em que o operário não compra o que produz. O déficit habitacional está se transformando em demanda. Mas, como atender à demanda se, a cada ano, o volume de mãode- obra para a construção civil diminui? Falta de tudo no mercado, desde servente até engenheiro sênior. E, com esse pouco de recurso humano, tem que fazer muito mais do que antes.
Protagonista da história da engenharia civil brasileira, o concreto se adaptou a todas as necessidades econômicas e estruturais e, hoje, está mudando novamente para atender às demandas ambientais. Poucas escolas de engenharia têm tanto conhecimento em concreto armado quanto a brasileira. As peculiaridades de nossa sociedade, economia, recursos naturais e outras influências nos levaram a desenvolver tecnologias variadas para construir com esse material, composto por cimento, areia, água, agregados e aço.A história do concreto armado no Brasil começou em 1904, no Rio de Janeiro, com a construção de um conjunto de seis prédios pela Empresa de Construções Civis, sob responsabilidade do engenheiro Carlos Poma. À época, conforme descrito no livro "A Escola Brasileira do Concreto Armado", de Augusto Carlos de Vasconcelos e Renato Carrieri Júnior, o material era denominado cimento armado.
Veja a matéria completa no site da revista Téchne: