12/01/2009

Cenários para 2009

Os desdobramentos da crise econômica abrem dois cenários distintos para o Brasil em 2009. No primeiro, o país consegue superar boa parte dos obstáculos, e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) chega perto dos sonhados 4% –um ótimo percentual, se comparado à perspectiva de recessão em países desenvolvidos.

No segundo cenário, o nevoeiro de expectativas pessimistas se adensa, obrigando investidores a manterem o pé no freio por mais tempo, e o aumento do PIB fica na pífia casa de 1% a 2%.

Contra estas expectativas desfavoráveis, o governo precisa agir, e rapidamente. Foram corretas as medidas emergenciais tomadas no final de 2008 em favor de setores alavancadores do crescimento. Agora, é necessário aprofundá-las, inserindo-as em políticas de longo prazo.

No caso da construção, certas condições favoráveis ao crescimento em 2009 já estão dadas. O segmento imobiliário, por exemplo, tem assegurada parte dos recursos para se financiar, pelo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e pela Poupança.

Estes créditos, que financiam principalmente os mutuários, acabam cobrindo cerca de 50% dos custos dos empreendimentos. Com a dificuldade de obter recursos na Bolsa e nos bancos para financiar os outros 50%, incorporadores reduziram o ritmo de lançamento dos futuros empreendimentos. Portanto, a falta de crédito desacelerou o crescimento imobiliário.

Já o orçamento do FGTS para a habitação em 2009 é de R$ 11,8 bilhões, 40% superior ao do ano passado. E poderá aumentar em até R$ 2,7 bilhões, saldo entre o que foi arrecadado a mais das empresas e o que foi sacado pelos trabalhadores.

Os financiamentos para a casa própria com recursos da Poupança somaram R$ 29,37 bilhões nos doze meses encerrados em novembro de 2008, superando em 68,8% o volume financiado no mesmo período anterior. Embora esse crescimento não deva se repetir em 2009, os recursos disponíveis serão suficientes para atender a demanda. Alguns bancos privados poderão ser mais seletivos na concessão do crédito, mas enfrentarão concorrência entre si e sobretudo da Caixa, que manteve as condições anteriores de financiamento e reduziu os juros para famílias de menor renda.

Um grande passo deverá ser dado ainda neste mês, com a implementação do PlanHab (Plano Nacional de Habitação), que prevê mais subsídios para o acesso à moradia por parte das famílias de baixa renda e a criação de um fundo garantidor para proteger os investidores em habitação popular de eventual inadimplência dos futuros mutuários.

No plano das obras públicas, o governo federal mantém firme a disposição de incrementar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). E os governos estaduais e municipais, mesmo postergando algumas obras por temerem queda na arrecadação, estão preservando os investimentos prioritários na expansão das redes educacional e de saúde, bem como nas obras inadiáveis de infra-estrutura e habitação popular.

Desta forma, a construção terá boas condições de colaborar para que o PIB cresça perto de 4% em 2009. O governo também contribuirá se, além de implementar políticas duradouras, baixar substancialmente os juros a partir da próxima reunião do Copom.

Tags: mercado economia

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09/12/2008

Construção poderá crescer entre 3,5% e 4,5% em 2009

Construção poderá crescer entre 3,5% e 4,5% em 2009

Apesar da crise financeira, a construção civil brasileira deverá manter o crescimento de 10% em 2008 e poderá crescer entre 3,5% e 4,5% em 2009. As afirmações foram feitas pelo presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe, em entrevista coletiva à imprensa nesta quarta-feira, 3 de dezembro. Segundo ele, a construção deverá crescer mais que o PIB por conta das obras já contratadas, que deverão inclusive assegurar um crescimento da atividade do setor pelo menos até o fim do primeiro trimestre de 2009.

Na entrevista, o diretor de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, anunciou os resultados da 37ª Sondagem Nacional da Construção, realizada com uma amostra de 235 construtoras em todo o país. Os empresários ainda permanecem otimistas com relação aos lançamentos de imóveis para 2009, embora menos que no ano passado, sobretudo com relação ao mercado de média e baixa renda. De outro lado, as construtoras acreditam que os investimentos em infra-estrutura serão relevantes para o crescimento da construção.

“A construção civil acabará servindo como um amortecedor da crise financeira em 2009, por conta de seu potencial gerador de obras e emprego em todo o país”, afirmou o presidente do SindusCon-SP.

A economista da FGV Projetos, Ana Maria Castelo, apresentou dois cenários para o ano que vem:

Cenário Básico – O nível de investimento será menos afetado, principalmente na construção civil. Neste caso, o PIB deverá crescer 3,8% e a construção civil, 4,7%.

Cenário de Ajuste Lento – O ambiente externo é menos favorável e a incerteza leva ao cancelamento de um número maior de investimentos. Neste caso, o PIB deverá crescer 2,8% e a construção civil, 3,5%.

Na avaliação do SindusCon-SP, o Cenário Básico é factível. “Obras já iniciadas em 2008 vão garantir a continuidade da atividade em 2009. Os financiamentos da Poupança e do FGTS não foram afetados pela crise de crédito. O BNDES deve garantir uma parte importante dos investimentos em infra-estrutura, também contemplados nos Orçamentos da União, Estados e Municípios. Por isso, acreditamos na probabilidade de o setor poderá crescer entre 3,5% e 4,5%”, diz Watanabe.

Em relação a 2008, o SindusCon-SP mantém a previsão de que, apesar da crise financeira, a construção civil deverá crescer cerca de 10%. Entre janeiro e outubro, as vendas de cimento aumentaram 15% e as de aço, 37%. O financiamento habitacional com recursos da poupança foi 80% superior ao concedido no mesmo período em 2007.

O faturamento da indústria de materiais no mercado interno teve expansão real e 24% E todas as regiões do país registraram crescimentos superiores a 10% no nível de emprego formal na construção. Ao fim de outubro, o emprego no setor registrava cerca de 2 milhões de postos de trabalho diretos.

Veja a apresentação: http://www.sindusconsp.com.br/downloads/apres_efeitos_da_crise_2008.pdf

Tags: construção civil economia

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