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A Vasselai abre espaço em suas obras para nomes que compõe a cena da arte urbana. Artistas são convidados a participar de projetos de arte e intervenções em seus empreendimentos com o objetivo de voltar o olhar para locais antes pouco valorizados, como tapumes, garagens, escadarias e a própria estrutura de obra em andamento.

ARTE NAS ESCADARIAS DO JAZZ

Escadarias normalmente são espaços monótonos, onde poucas pessoas circulam, muitas vezes pela correria do cotidiano, ou até mesmo por não terem motivos que os incentivem a usá-las, preferem os elevadores para chegarem até seus apartamentos.

Mas no Jazz, será diferente, pois nesse projeto realizado pelo artista Alexandre Meldau, não faltarão motivos para os moradores e seus visitantes caminharem pelas escadarias do prédio, surpreendendo a cada lance de escadas.

São 11 momentos de descoberta, onde cada um dos andares foi decorado com um mural homenageando um artista consagrado do Jazz mundial, pelo traço de Meldau, que buscou referências nas capas de discos dos anos 40 e 50 para realizar esse trabalho, que foi um desafio para o artista.

Aproveite para conhecer mais sobre Meldau e seu trabalho na entrevista que fizemos com o artista, e também, conferir todos os murais, e um video que apresenta todo o processo do desenvolvimento da ação.

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1) Alexandre, conte-nos um pouco de sua história:
AM:
Nasci em Curitiba em 1974, filho de um casal de médicos. No entanto, cresci e morei em Jaraguá do Sul até 2010. Nesse meio tempo passei por algumas cidades como Blumenau, Curitiba e NY onde tive o privilégio de estudar na School of Visual Arts em 1998. Atualmente moro em Balneário Camboriú, onde possuo meu atelier.

2) Quais suas influências para ter começado a pintar?
AM:
O desenho se manifestou já na minha infância. Obviamente, que não veio com aquele sopro genial que muitos romantizam. Eu tinha um pouco de jeito, mas principalmente curtia muito desenhar. Meu negócio era caderno de desenho, canetinhas, essas coisas, então acho que o universo do desenho a partir deste gosto veio naturalmente. Depois durante a faculdade essa expressão tornou-se mais ativa. Foi quando conheci uma linha de quadrinhos que fizeram minha cabeça e me despertaram pro ato de desenhar. Moebius, Manara, Serpieri, Liberatore, e os grandes nacionais, Laerte, Angeli, Spacca. Anos depois o universo das artes plásticas me trouxe uma nova maneira de olhar o desenho por ser muito vasto e múltiplo em suas escolas e maneiras de expressão. Alguns artistas que eu admiro: Edward Hopper, Francis Bacon, Alexander Calder, Norman Rockwell, Mark Rothko, Portinari, Di Cavalcanti, Picasso, Matisse, e também os artistas contemporâneos como os Gemeos, Spetto, Adriana Varejão, Vick Munis e muitos outros que mereciam ser citados aqui.

Trabalho
3) Como você recebeu esse desafio de pintar todos os andares do Jazz?
AM:
Com um pouco de ansiedade pois é seguramente o maior projeto de que já participei. Ao mesmo tempo com muito entusiasmo pois me identifiquei de imediato com a proposta.

4) Como desenvolveu-se o processo criativo das ilustrações do projeto?
AM:
Usei referências fotográficas e estéticas. Concebi como uma leitura das capas de disco jazz principalmente dos anos 40 e 50, onde a ilustração mesclava-se com elementos gráficos recortados e tipos. Mas dei uma atualizada e criei um padrão para estabelecer uma unidade.

5) Qual seu envolvimento com a música, e a relação da pintura e ilustração com ela?
AM:
Música é a Arte Maior, e sem música eu não passo um único dia. Posso dizer que independente deste projeto, o jazz sempre esteve muito presente na vitrola. Meu trabalo tem muita referência ao jazz, talvez por isso tenha me sentido extremamente confortável para conceber o projeto Intervenções para o Jazz (empreendimento). Mas também sai muito desenho e pintura ao som de rock, blues, bossa, soul, samba, etc.

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6) Você acredita que existam características que podem relacionar o Jazz ao traço artístico?
AM:
Certamente. O Jazz é um gênero musical livre, com muito improviso e com dezenas de escolas e ramificações. Claro que existe uma linguagem envolvida. Assim como na arte, é preciso ter uma linguagem e identidade, mas o espírito deve ser de liberdade pra experimentar.

7) Quais suas expectativas com a interação e relação dos moradores e visitantes do Jazz, com suas obras inseridas em seu cotidiano?
AM:
Espero que de fato, o uso da escada seja valorizado e que isso reflita inclusive em novos empreendimentos por aí. E claro, espero que apreciem a arte. A arte leva à curiosidade, daqui a pouco tem gente pesquisando quem foi Thelonius Monk. De repente tem uma criança que se interessa por estudar artes plásticas...

Conheça mais sobre o trabalho de Alexandre Meldau: http://cargocollective.com/meldau



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